Há dois anos, na última Greve Geral feita com José Sócrates no Governo, a primeira em dezenas de anos que juntou a CGTP e a UGT realizou-se sem estar prevista uma manifestação no Porto. Autocarros da União de Sindicatos do Porto levaram muitos sindicalistas para Lisboa, para a grande manifestação à porta do odiado primeiro-ministro. Na Praça da Liberdade, mais de uma centena de anarquistas, bloquistas, comunistas e outros não-istas ocuparam um deixado espaço livre. Não apareceram praticamente jornais, embora tenham estado meios de comunicação social estrangeiros que tinham andado pelo Porto a falar com as pessoas do May Day e da Plataforma Precários Inflexíveis e souberam da concentração.
Depois do 15 de Março e do 15 de Outubro, no ano passado, a nova Greve Geral que CGTP e UGT a 24 de Novembro organizaram já teve direito a manifestação, na Praça da Liberdade. Com autocarro e os discursos e tudo. Até algumas pessoas da UGT.
Excesso policial no Porto
Este ano, a manif desta Greve Geral deste 22 de Março tinha de novo preparada concentração na Praça da Liberdade. Paralelamente, as pessoas ligadas ao 15 de Março decidiram que deveriam ir à entrada da Reitoria, onde Passos Coelho estaria, para lhe dizer duas coisas. Já no dia da greve, os responsáveis da União de Sindicatos do Porto conheceram a agenda do primeiro-ministro e decidem, de acordo com a polícia, mudar a concentração para os Leões. Eis-nos, então, chegados a este ponto.
O que ficou combinado entre a USP e a PSP foi a criação de um grande espaço-tampão -- perímetro de segurança -- entre a concentração e a entrada da Reitoria. Chegou o autocarro da CGTP e começaram os discursos. Tal como tinha acontecido em situações anteriores, há alguma separação entre as duas partes, por razões muito antigas e mesquinhas, hoje em dia.
Quando chega Passos, há gritos de "gatuno". Alheio, o speaker continua a discursar. No sítio onde me encontro não se percebe uma palavra do que ele diz. Em mais de meia-hora que estive a ouvir, não percebi mais do que duas palavras.
De repente, percebem-se movimentações da polícia, em direção à Praça de Carlos Alberto. Primeiro uns polícias a andar mais lestos, depois alguns manifestantes a correr. Pego na mão do ganapo e começo a acelerar. Vejo polícias a correr e ouço gritos de "Liber-da-de". Ponho a máquina no automático e começo a disparar. Como é habitual nestas situações, os polícias apanham uma manifestante que é imobilizado. Depois viram-se para outros dois, entre eles o Zé. Quando o rodeiam, o apertam e ele reage, não se apercebem que, num ápice, ficam completamente rodeados.
As pessoas que estavam mais próximas da polícia contêm o avanço da turba, que lhes grita "fascistas". Entre eles, à distância, ao meu lado, o meu filho. De repente, o único veículo policial que se encontra no local desaparece e parece que a qualquer momento vai chegar o Corpo de Intervenção. Nesta acalmia apercebo-me que em redor dos oito a dez polícias - mais alguns à paisana, vi depois - estão cerca de 200 manifestantes, inquietos com a detenção, aproximando do pequeno cordão de polícia que mantém em seu poder o Zé.
Os gritos começam a pedir "Solta, solta", depois "Solta o Zé, solta o Zé". Dezena e meia de polícias concentrava-se em dois metros quadrados, encostados a uma parede, a uma loja. À sua volta, bem mais de uma centena de pessoas pressionava.
Soltaram o Zé.
A situação que esteve quase a rebentar foi salva por este anti-clímax. Entretanto, levantou-se outro problema: identificar os polícias que excederam a força. Impossível. Tinham praticamente todos coletes por cima da identificação. E um deles foi embora na viatura. Acalmou.
Entretanto, regresso à Fonte dos Leões. A manifestação tinha praticamente desaparecido. Fiquei na conversa enquanto iam dispersando. Mais tarde fiquei a saber que tinham chamado aos confrontos com a polícia, ou da polícia, a USP chamou de "fumaça".
PS: Convém dizer, pelas imagens das TV, que muitas pessoas ficaram ainda à espera de Passos Coelho. Eu é que não esperei.
Depois do 15 de Março e do 15 de Outubro, no ano passado, a nova Greve Geral que CGTP e UGT a 24 de Novembro organizaram já teve direito a manifestação, na Praça da Liberdade. Com autocarro e os discursos e tudo. Até algumas pessoas da UGT.
Excesso policial no Porto
Este ano, a manif desta Greve Geral deste 22 de Março tinha de novo preparada concentração na Praça da Liberdade. Paralelamente, as pessoas ligadas ao 15 de Março decidiram que deveriam ir à entrada da Reitoria, onde Passos Coelho estaria, para lhe dizer duas coisas. Já no dia da greve, os responsáveis da União de Sindicatos do Porto conheceram a agenda do primeiro-ministro e decidem, de acordo com a polícia, mudar a concentração para os Leões. Eis-nos, então, chegados a este ponto.
O que ficou combinado entre a USP e a PSP foi a criação de um grande espaço-tampão -- perímetro de segurança -- entre a concentração e a entrada da Reitoria. Chegou o autocarro da CGTP e começaram os discursos. Tal como tinha acontecido em situações anteriores, há alguma separação entre as duas partes, por razões muito antigas e mesquinhas, hoje em dia.
Quando chega Passos, há gritos de "gatuno". Alheio, o speaker continua a discursar. No sítio onde me encontro não se percebe uma palavra do que ele diz. Em mais de meia-hora que estive a ouvir, não percebi mais do que duas palavras.
De repente, percebem-se movimentações da polícia, em direção à Praça de Carlos Alberto. Primeiro uns polícias a andar mais lestos, depois alguns manifestantes a correr. Pego na mão do ganapo e começo a acelerar. Vejo polícias a correr e ouço gritos de "Liber-da-de". Ponho a máquina no automático e começo a disparar. Como é habitual nestas situações, os polícias apanham uma manifestante que é imobilizado. Depois viram-se para outros dois, entre eles o Zé. Quando o rodeiam, o apertam e ele reage, não se apercebem que, num ápice, ficam completamente rodeados.
As pessoas que estavam mais próximas da polícia contêm o avanço da turba, que lhes grita "fascistas". Entre eles, à distância, ao meu lado, o meu filho. De repente, o único veículo policial que se encontra no local desaparece e parece que a qualquer momento vai chegar o Corpo de Intervenção. Nesta acalmia apercebo-me que em redor dos oito a dez polícias - mais alguns à paisana, vi depois - estão cerca de 200 manifestantes, inquietos com a detenção, aproximando do pequeno cordão de polícia que mantém em seu poder o Zé.
Os gritos começam a pedir "Solta, solta", depois "Solta o Zé, solta o Zé". Dezena e meia de polícias concentrava-se em dois metros quadrados, encostados a uma parede, a uma loja. À sua volta, bem mais de uma centena de pessoas pressionava.
Soltaram o Zé.
A situação que esteve quase a rebentar foi salva por este anti-clímax. Entretanto, levantou-se outro problema: identificar os polícias que excederam a força. Impossível. Tinham praticamente todos coletes por cima da identificação. E um deles foi embora na viatura. Acalmou.
Entretanto, regresso à Fonte dos Leões. A manifestação tinha praticamente desaparecido. Fiquei na conversa enquanto iam dispersando. Mais tarde fiquei a saber que tinham chamado aos confrontos com a polícia, ou da polícia, a USP chamou de "fumaça".
PS: Convém dizer, pelas imagens das TV, que muitas pessoas ficaram ainda à espera de Passos Coelho. Eu é que não esperei.